Sony não produzirá mais smartphones no Brasil



Você é usuário dos celulares da Sony? Temos uma má notícia: ela não produzirá mais os seus aparelhos em fábricas nacionais. Uma executiva da filial brasileira confirmou a mudança de estratégia da empresa japonesa, que agora opta apenas pela importação dos produtos. Procurada por nossa equipe, a Sony Mobile Brasil nos enviou um comunicado sobre essa mudança. Confira a íntegra dessa nota, logo abaixo.

Uma das justificativas para isso é a falta de incentivos fiscais por parte do governo brasileiro e a instabilidade gerada pela crise econômica. O mesmo aconteceu com a recém-chegada Xiaomi, que anunciou que não tem planos de trazer novos produtos ao país à curto prazo.
A diretora de marketing da Sony, Ana Peretti, explicou ao G1 que “a Lei do Bem foi suspensa e só temos produtos acima de R$ 1,8 mil, então decidimos importar esses modelos”. Isso mostra claramente que a revogação da Lei do Bem realmente desestimulou as fabricantes de produzirem seus aparelhos aqui. A Sony então substitui as fábricas do interior de São Paulo pelas unidades localizadas na China e na Tailândia, onde o custo é menor.
androidpit sony xperia x power button

Procurada por nossa equipe, a Sony Mobile Brasil nos enviou um comunicado sobre a nova estratégia da empresa, e reforçou que essa prática foi adotada em recentes lançamentos da marca. Confira a nota na íntegra:
A Sony Mobile reitera que a estratégia de importação de produtos premium permanece a mesma desde o final do ano passado. Os modelos Xperia Z5 e Xperia Z5 Premium já eram importados e os lançamentos Xperia X e Xperia XA também serão. A marca permanece comprometida com o mercado brasileiro e iniciou ontem a pré-venda dos modelos Xperia X e Xperia XA, que estão sendo lançados mundialmente em junho. 
Uma das desvantagens da importação dos aparelhos é que é difícil se adequar rapidamente a velocidade do mercado. Se a fabricação continuasse sendo nacional, em caso de aumento de demanda, rapidamente eles poderiam ampliar o número de aparelhos fabricados. Se o contrário acontecesse, bastava mandar diminuir a produção para se adequar ao cenário local. Mas com fábricas no exterior, tais manobras ficam mais difíceis, devido à logística, mais complexa.
O cancelamento da Lei do Bem e a complexa malha tributária desencorajam as empresas a investir no Brasil
Além disso, o fim do investimento em fabricação local por parte de empresas como a Sony é ruim para o governo, que deixa de arrecadar impostos e vê a sua indústria encolher. E, claro, é especialmente ruim para nós, consumidores, que temos que pagar mais caro por aparelhos simples.
Dois exemplos disso vêm da própria Sony, a partir dos mais recentes lançamentos da marca. O Xperia XA, que é um celular intermediário, custa R$ 1,8 mil. Já o Xperia X chegou com o espantoso preço sugerido de R$ 3,8 mil!

sony xperia xa 2

A situação se torna um tanto paradoxal se observamos que os brasileiros têm topado pagar caro pelos celulares Segundo dados da IDC, a faixa de smartphones que custam mais de R$ 3 mil é a segunda mais vendida no país! Ela teve um crescimento anual de 101%. Talvez seja por isso também que as empresas não tenham pena na hora de definir o preço de seus produtos. Até porque são os topos de linha que proporcionam maior margem de lucro às fabricantes. 
Não custa nada relembrar que a Xiaomi tomou a mesma decisão de se afastar do Brasil. Os motivos para isso também têm a ver com os desmandos do governo. Primeiramente, o cancelamento da Lei do Bem; segundo, a mudança na tributação em vendas feitas via e-commerce. Estamos falando do ICMS, cuja faixa de cobrança agora muda de estado para estado. A Xiaomi só vendia seus aparelhos pela internet e agora opta por revendê-los em canais parceiros
Desta forma, fica difícil ver uma melhora no mercado brasileiro à curto prazo. Se a economia não entrar no rumo certo nos próximos meses, a tendência é que outras empresas diminuam seus investimentos no país. Daqui a pouco, ao caminharmos pelas lojas, poderemos encontrar apenas celulares intermediários da Samsung, Lenovo e LG à venda. Uma espécie de reserva de mercado mais "light"...

O que você acha que deve ser feito para que o Brasil se torne, novamente, um país atrativo para as grandes empresas de eletrônicos?

Retirado da Internet

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